RESENHA | TERRA DAS MULHERES

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RESENHA | TERRA DAS MULHERES

Publicado há mais cem anos, Terra das Mulheres foi escrito pela feminista Charlotte Perkins Gilman, que descreve uma sociedade em que só existem mulheres.

Apesar de essa sociedade ter apenas mulheres, a história é narrada por um homem, sociólogo, que junto com mais dois amigos seguem para uma expedição em terras desconhecidas, os três pesquisadores trazem para a narrativa diferentes visões e conceitos explorados ao longo do livro.


Assim que os pesquisadores chegam para a expedição, ficam sabendo da lendária terra das mulheres, em que os moradores locais já ouviram falar, mas pouco se conhecia, a maioria a tinha como lenda, que, além de uma sociedade em que só existia mulheres, também era conhecido como um local onde, quem ousou entrar, nunca mais saiu. As terras ficavam escondidas nas montanhas dos Estados Unidos, e já no início da narrativa, os três homens decidem explorar a região.


Durante o trajeto fica mais claro, para o leitor, as diferentes personalidades dos três pesquisadores, um com a visão mais machista, outro com uma visão mais romantizada e o narrador, que permanece no meio termo ao longo do livro, mas o que eles têm em comum é o fato de não acreditarem que essa sociedade se sustente apenas com mulheres, mesmo depois de observar as terras e certificarem-se de que há somente mulheres, ainda acreditam que os homens estejam em outra área ou até escondidos.


Após se estabelecerem na sociedade, passam a viver de forma aprisionada pelas mulheres, que estão dispostas a entender quem são aqueles homens e o porquê estão ali, o contato é dado com certa demora e muita paciência, já que não falam a mesma língua, e não possuem os mesmos costumes.


Nessa fase do livro observamos cenas incríveis, e diálogos mais incríveis ainda, quando os pesquisadores tentam explicar como é a nossa sociedade, os questionamentos daquelas mulheres nos provam o quanto ainda somos patriarcais e machistas, o olha que estamos falando de um livro escrito em 1915, estas mulheres demoram a entender o modo como a sociedade acontece do outro lado, já que lá onde estão não existem famílias, nem divisões de classe, todas trabalham em conjunto para o bem da sociedade em geral. A maternidade é algo muito valorizado na Terra das Mulheres que geram filhos para o coletivo, e nunca para uma mãe individual.


O que chama atenção é que os homens descritos há mais de cem anos atrás possuem ainda o mesmo estereótipo dos homens atuais, já as mulheres de Terras das Mulheres, apesar de demonstrarem uma grande inocência, são extremamente fortes, independentes e autônomas, além de possuírem um enorme senso de coletivo.


O livro já esteve presente no Club Ficção aqui do Club do Livro, por aqui adoramos distopias. Vale a pena conferir, a leitura é fácil, leve e super agradável.

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